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A Sementes
Luciani, sentindo a necessidade de melhor colaborar
com seus cooperados, elaborou este informativo para
produção de seme12 de soja. Com esse instrumento e
com a experiência individual de cada cooperado o nível
de qualidade da semente aumentará , trazendo maior satisfação
e lucro para ambos.
Não há qualquer pretensão em elaborar um informativo que se aplique à todas
as regiões indistintamente, pois é sabido que o clima, os equipamentos, o
preparo técnico e operacional diferem grandemente, impossibilitando tal
objetivo. Todavia, existem alguns cuidados que, se tomados, melhoram em
muito a performance.
Amigo cooperado zele por sua semente:
1 - No Armazenamento das Sementes.
- Armazenar as seme12 em galpões bem ventilados, sobre estrados de
madeira.
- Não empilhar as sacas de seme12 contra as paredes do galpão.
- Não armazenar as seme12 juntamente com adubos, calcário ou agroquímicos.
- O ambiente de armazenagem deve estar livre de fungos e roedores
- Dentro do armazém a temperatura não deve ultrapassar os 25ºC e umidade
relativa de 70%.
2- No Tratamento de Sementes.
- Utilizar máquinas específicas para tratamento de seme12 ou tambor
giratório, pois estes proporcionam melhor cobertura da semente com
fungicidas, micronutrientes e inoculantes.
- Verificar as condições de funcionamento da máquina a ser utilizada no
tratamento das sementes.
- Verificar se a máquina de tratamento de seme12 está corretamente limpa,
se não estiver, proceda da seguinte maneira: abra totalmente as entradas e
saídas da máquina e retire as sobras de produtos e ou seme12 que estejam
acumulados em seu interior; verifique também se não existem seme12
grudadas no caracol ou em cantos da máquina.
- Preparar as embalagens para acondicionar as seme12
tratadas, verificando se não há sobras de seme12 nas
embalagens.
- Preparar a calda e coloca-la no recipiente da máquina
seguindo-se a medida previamente determinada.
- Acompanhar todo o processo e, após o término do tratamento de cada
material (cultivar), limpar a máquina cautelosamente para que não fiquem
seme12 em cantos ou ao longo do interior da máquina de tratamento.
- Ficar atento para cultivares que tem tegumento muito
fino para que as mesmas não tenham absorção excessiva
do produto utilizado no tratamento ficando enrugadas.
- Não fazer o tratamento em lonas ou diretamente na caixa de seme12 da
plantadeira.
- O tratamento deverá ser efetuado preferencialmente no dia de plantio e à
sombra não ultrapassando 48 (quarenta e oito) horas do tratamento até o
plantio
3- Na Umidade do Solo.
A semente de soja, para a germinação e a emergência da plântula, requer
absorção de água de, pelo menos, 50% do seu peso seco. Para que isso ocorra,
no menor tempo possível, é fundamental que o grau de umidade e a aeração do
solo sejam adequados e que o processo de
semeadura propicie o melhor contato possível entre solo
e semente, para assegurar os processos de germinação e
emergência.
A semeadura em solos com insuficiência hídrica, ou seco, "no pó", prejudica
o processo de germinação, expondo as seme12 às pragas e microorganismos do
solo que prejudicam o estabelecimento de uma população adequada de plantas.
4- Na Temperatura do Solo.
Sempre que possível, a semeadura da soja não deve ser
realizada quando a temperatura média do solo estiver abaixo
de 20ºC, porque prejudica a germinação e emergência.
A faixa de temperatura média de solo adequada para semeadura da soja vai de
20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a ideal para uma rápida e uniforme emergência. A
semeadura em solo com temperatura inferior à 18ºC pode resultar, em drástica
redução nos índices de germinação e emergência. Temperaturas superiores a
40ºC podem prejudicar o processo de estabelecimento das plantas no campo.
5- Na Profundidade de Semeadura.
Efetuar a semeadura a uma profundidade de 3 a 5 cm. Semeaduras em
profundidades superiores às citadas dificultam a emergência, principalmente
em solos arenosos, sujeitos a assoreamento, ou em situações onde há risco de
compactação superficial do solo.
6- Na Posição Semente/Adubo.
O adubo deve ser colocado ao lado e abaixo da semente, pois o contato direto
com o adubo prejudica a absorção de água pela semente, podendo, inclusive,
matar a plântula em desenvolvimento, principalmente quando se aplica dose
alta de cloreto de potássio no sulco (acima de 80 Kg/ha de KCl).
7- No Controle do Danos Mecânicos na Semeadura.
- Certifique que a semeadora não provoque danos mecânicos na semente durante
o processo de distribuição.
- Verificar se os orifícios e espessura dos discos (se for o caso) são
compatíveis com o tamanho das seme12,
- Verificar o desgaste dos discos.
- Verificar se o sistema de limpeza dos orifícios dos discos está preso.
8- Na Época da Semeadura.
A soja, sendo uma cultura termo e fotossensível, esta sujeita a alterações
fisiologias e morfológicas, quando as suas exigências não são satisfeitas.
A época de semeadura, além de afetar o rendimento, afeta também e de modo
acentuado, a arquitetura e o comportamento da planta. Semeadura em época
inadequada pode causar redução drástica no rendimento, bem como dificultar a
colheita. Assim sendo o agricultor deve estar atento às recomendações do
produtor de semente e dos órgãos de pesquisa quanto à época de semeadura,
tratamento de seme12, adubações, espaçamento, tratamentos fitossanitários,
etc.
9- No Cálculo da Quantidade de Sementes.
O número de plantas/metro linear a ser obtido na lavoura é estimado levando
em conta a população de plantas/ha desejada e o espaçamento adotado, usando
a seguinte fórmula:
Nº. de pl/m = [pop/há x espaçamento (m)]
10.000
De posse destes valores, calcula-se o número de seme12 por metro de sulco:
Nº. De seme12/m = (nº. De plantas que se
deseja/m x100)
%
de emergência
Para se estimar a quantidade de semente que será gasta por hectare, pode-se
usar a seguinte fórmula:
Q = (100 x P x D)
G x E
Onde:
Q = Quantidade de seme12, em Kg/ha;
P = Peso de 1000 seme12, em gramas;
D = Nº. de plantas que se deseja/m;
E = Espaçamento utilizado em cm; e
G = % de germinação.
10- No Plantio dos Campos.
- Verificar as condições de funcionamento de todos os componentes da
plantadeira e dos equipamentos que serão utilizados no plantio.
- Ajustar o espaçamento entra as linhas da plantadeira.
- Montar as linhas da plantadeira ou ajustar a bitola do trator de forma à
não coincidir a linha da plantada com o rastro dos pneus do trator e se
possível com o rastro do marcador de linha.
- Escolher os discos de acordo com o tamanho das seme12 a serem plantadas
conforme diâmetro e espessura das mesmas.
- Verificar se a plantadeira esta completamente limpa,
não havendo nenhum tipo seme12 remanescentes.
- Percorrer de 20 a 25 metros com a plantadeira em uma superfície plana e
aferir a regulagem das seme12 conforme recomendação da pesquisa e poder
germinativo, como também a dose de adubo a ser empregada.
- Usar grafite na semente.
- Regular o marcador de espaçamento da plantadeira, utilizando a seguinte
fórmula:
[(N.º linhas + 1) x espaçamento - bitola do trator]
/ 2
- Efetuar o plantio na velocidade de 4 - 7 Km/h (verificar o manual da
plantadeira).
- Paralisar o plantio sempre que as condições climáticas não permitirem o
plantio ou boa germinação (excesso de umidade no solo ou deficiência
hídrica).
11- No Manejo de pragas.
A cultura está sujeita ao ataque de pragas, praticamente,
durante todo o seu ciclo. Logo após a emergência, pragas
como a lagarta rosca (Agrotis ipisilon), o percevejo castanho
(Scaptocoris castanea e Atarsocoris brachiariae), os coros
e broca do colo (Elasmopalpus lignosellus) podem atacar
as plântulas. Posteriormente, a lagarta-da-soja ( Anticarsia
gemmatalis), a lagarta falsa-medideira [Chrysodeixis (Pseudoplusia)
includens] e broca das axilas (Epinotia aporema) atacam
as plantas durante o período vegetativo e, em alguns casos,
até durante a floração. Com o início da fase reprodutiva,
surgem os percevejos (Nezara viridula, Piezodorus guildinii
e Euchistus heros), que causam danos desde a formação
das vagens até o final do desenvolvimento das sementes.
Para o controle das principais pragas da soja, recomenda-se
a utilização do "Manejo de Pragas". É uma tecnologia
que consiste, de inspeções periódicas à lavoura, para
verificar o índice de ataque, com base na desfolha, no
número e no tamanho das pragas. Nos casos específicos
de lagartas e percevejos, as amostragens devem ser feitas
com pano-de-batida, preferencialmente de cor branca, preso
em duas varas com 1m de comprimento, o qual deve ser estendido
entre duas fileiras de soja. As plantas da área compreendida
pelo pano-de-batida devem ser sacudidas vigorosamente
sobre o mesmo, havendo, assim, a queda das pragas sobre
ele, que deverão ser contadas.
Este procedimento deve ser repetido em vários pontos da
lavoura, considerando, como resultado, a média de todos
os pontos amostrados. No caso de lavouras com espaçamento
reduzido entre linhas, usar o pano batendo apenas as plantas
de uma fileira. Principalmente com relação a percevejos,
estas amostras devem ser realizadas nas primeiras horas
da manhã (até as 10 horas), quando as pragas se localizam
na parte superior das plantas, sendo mais facilmente visualizados.
Recomenda-se também, realizar as amostragens com mais
intensidade nas bordaduras da lavoura, onde em geral,
os percevejos iniciam seu ataque. As vistorias para avaliar
a ocorrência dos percevejos devem ser executadas do início
da floração de vagens (R3) até a maturação fisiológica
(R7), os quais deverão ser repetidos semanalmente.
Tabela 01. Níveis de controle para as principais
pragas da soja para produção de seme12
|
Semeadura |
Período Vegetativo |
Floração |
Formação de vagens |
Enchimento de grãos |
Maturação |
Colheita |
|
20 lagartas por
batida de pano |
|
Broca-das-axilas: a partir de 25% - 30% de plantas
com os ponteiros atacados. |
* Lagartas maiores que 1,5
cm.
** Percevejos maiores que 0,5 cm.
12- Na Colheita.
A colheita constitui uma importante etapa no processo
produtivo da soja, principalmente pelos riscos a que
está sujeita a lavoura destinada à produção de sementes.
A colheita deve iniciada tão logo a soja atinja o estádio
R8 (ponto de colheita) a fim de evitar perdas na qualidade
das sementes. Para tanto o agricultor deve estar preparado,
com antecedência, com suas máquinas, caminhões, etc.
Durante o processo de colheita, é normal que ocorram
alguns danos. Porém, é necessário que sejam sempre reduzidos
a um mínimo. Para reduzir danos, é necessário que se
conheçam as suas causas sejam elas físicas ou fisiológicas.
- A presença de plantas daninhas faz com que a umidade
permaneça alta por muito tempo, prejudicando o bom funcionamento
da colheitadeira e exigindo maior velocidade no cilindro
batedor, resultando em maior dano mecânico às seme12
e, ainda facilitando maior incidência de fungos.
- Em lavouras destinadas a produção de seme12, muitas
vezes, a espera de menores teores de umidade para efetuar
a colheita pode provocar a deterioração das seme12
pela ocorrência de chuvas e conseqüente elevação da
incidência de patógenos.
- A soja, quando colhida com teor de umidade entre 13%
e 15%, tem minimizado os problemas de danos mecânicos
e perdas na colheita. Caso a umidade estiver entre 15%
e 18% deverá ser agendada a colheita na UBS. Porém seme12
colhidas com umidade superior a 15% estão sujeitas a
maior incidência de danos mecânicos latentes e, quando
colhidas com umidade inferior a 12% estão susceptíveis
ao dano mecânico imediato.
- Verificar se as colhedoras, carretas caçambas e caminhões
estão completamente limpos, principalmente de grãos
soja quando for iniciar a colheita ou trocar de cultivar.
- Promover um treinamento para motoristas, operadores
de colhedoras, antes de iniciar a operação.
- Iniciar a colheita pela bordadura da área (que deverá
ser descartada), realizando as regulagens necessárias
visando o máximo de integridade da semente, com base
nas medições de perdas e danos mecânicos.
- Determinar o descarte das áreas onde a diferença da
maturação é muito grande, detectadas na vistoria de
pré-colheita.
- Se não for possível encher o caminhão em um dia, por
algum motivo, este deve ser enviado para UBS, mesmo
sem completar a carga. Somente deverá permanecer na
propriedade se a semente estiver abaixo de 14% de umidade,
com mínimo de impurezas.
13-Check-List da colhedora.
Tem como objetivo manter a pureza genética das seme12,
seguindo um cronograma para limpeza das colhedoras.
13.1- Sistemas a serem observados:
- Plataforma de corte (A)
- Esteira do pescoço da plataforma (B)
- Cilindro batedor / côncavo (C)
- Elevadores, base e cabeça (D)
- Peneiras e bandejão (E)
- Saca-palha (F)
- Graneleiro / cano de descarga (G)
13.2- Operações:
- Abrir a base dos elevadores (principalmente a retrilha)
e ligar os sistemas de (A até G) por aproximadamente
3 minutos na rotação de trabalho.
- Com os sistemas (A, B e C) desligados, limpar os mesmos
com ar comprimido. Ligar novamente por aproximadamente
1 minuto. Desligar de novo por mais 1 minuto e checar
a limpeza.
- Abrir as peneiras para checar possível embuchamento
do saca-palha. A base dos elevadores deve permanecer
aberta até o final de todas as operações descritas abaixo.
- Com os sistemas (D, E e F) desligados, limpar os mesmos
utilizando ar comprimido. Ligar durante 1 minuto e checar
a limpeza.
- Com a colhedora totalmente desligada entrar no graneleiro
(G) e limpar todos os cantos e saliências com ar comprimido.
Afastar-se da máquina e ligar todos os sistemas (A até
G) por aproximadamente 1 minuto, deixando aberta à base
do cano de descarga. Desligar tudo.
- Limpar novamente. Ligar de novo por 1 minuto. Checar
a limpeza. Existem cuidados especiais que devem ser tomados para
que a semente tão cuidadosamente produzida , chegue
a seu destino de forma sadia e vigorosa.
A diferença essencial entre o grão de soja destinado
a indústria e a semente de soja está na vida que a segunda
deve preservar para nascer
Referencias bibliográfica:
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa
de Soja.
Recomendações técnicas para a cultura da soja na região
central do Brasil 2000/01
Embrapa Soja.-Londrina: Embrapa Soja/Fundação MT, 2000
MONSOY. Sementes de Soja Monsoy.
Qualidade do Campo à UBS.
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